E voltando para o carro de uma noite linda sob o luar, encontro com aquele menino...
No meio do povo...
Era por volta da meia noite e ele sozinho, faminto, descalço...
interrompe a minha caminhada feliz de uma noite maravilhosa e me pede...
"Dá-me de comer...por favor,moça, compra algo para eu comer!"
E eu permaneci por segundos inerte. Olhei para o companheiro ao lado, nada decidi...
Apenas abanei levemente a cabeça, enquanto de súbito passa por nós um homem com duas mulheres que diz:
"Dê não, ele quer usar cola"
O menino defende-se mandando o homem fazer algo que é melhor aqui não recitar...
Também de súbito o companheiro ao lado, de modo educativo, diz algo assim: "Olha a educação,menino!"
E todos se dispersam, cada um ao seu mundo, como que num vazio de segundos, nada de mim foi feito...
Do menino, ele fez: ora pediu, ora mandou...
Do companheiro, ele fez: alertou, educou...
Do homem, ele fez: julgou, advertiu... de qualquer modo, pensou estar certo de que o menino me pedira dinheiro....
E eu...nada fiz...segui calada um bom tempo, coração machucado, por despedir o pequenino de barriga vazia...
Pensei depois; mas como ia comprar naquele restaurante algo? se ao menos tivesse uma lanchonete...
E mesmo pensei: mas, eu estaria so contribuindo com esse costume, com mais cças na rua...
Nada a ver, poderia sim ter feito, não fiz....faltou-me a graça, faltou-me ação.....nada de moralismo, mas reflito como
fui sem ação
Não há ninguém que se acostume com a fome...ela é, imediata surge
meu coração ficara meio murcho depois deste episódio, como se olhasse para uma das plantinhas que amoo cuidar e lhe negasse água, como se
quando tiver ( filhos) num momento de alimentar os meus pequeninos eu deixasse de dar o leite materno numa noite....faltou-me ousadia, faltou-me a graça...
De amar...
E que não quero passar nenhum dos meus dias sem amar quando der para amar.....
Meu coração partido sonhou com o menino faminto que o abordou...tentava a madrugada me redimir daquela tão grande falta!
Mas, como nada fica sem jeito... fiz um pedido bem sério a Deus....o perdão Dele e o meu....Pedi que Ele me perdoasse e que eu suportasse perdoar-me também, pois
que nem de longe sou generosa como só Deus é, certamente Ele, do mesmo modo, de súbito, já vem com o perdão,
e ainda pode me dar oportunidades de doar um pão a outro Cristo que me passe
Não se trata de perder a chance a ser boazinha.... nada disso! Isso não importa para ninguém!
O caso não é ter outros cem meninos a pedir para desta vez eu ajudar....só pra desencargo de consciência,
mas de se perceber que um ficou sem comer, que ficou sem amor, aquele que eu amo...
Mas que agora, neste instante em que escrevo, veio-me a graça de ver uma luz para solucionar esta causa sem volta....
tenho a seguinte esperança: há de ter aparecido um cristão para alimentar Aquele pequenino Cristo....
Pois que eu lembrei que já disseram que:
Quem prepara para os corvos o seu alimento, quando os seus pintinhos gritam a Deus e andam vagueando, por não terem que comer?
Olhai para as aves do céu, que não semeiam, nem segam, nem ajuntam em celeiros; e vosso Pai celestial as alimenta. Não tendes vós muito mais valor do que elas?
(Jó 38:41; Mateus 6:26).
Ou mesmo, consolei-me a pensar que na minha grande pobreza do meu coração miserável, eu ainda não tivesse, naquele instante,
preparada para dar o que me pediu o menino....ou ainda, talvez eu também, faminta, não tivesse o pão que me pedira aquele menino.
É bem capaz mesmo dessa última hipótese ser a verídica: faltou amor de mim pra dar, faltou amor em mim.....
Vem, ó Pão, alimentar meu coração vazio!
Mas, disso tudo eu aprendi: o amor tá no meio do povo para nos ensinar e dar oportunidades de amar!